
É propriedade do amor o ser violento e é propriedade da violência a não durabilidade. O amor acaba-se em nós, não por nossa vontade, mas porque tem por natureza acabar, nem tudo espera por nós. Quando amamos, é por força, porque a formosura, que nos inclina, vence-nos. Também é por força quando não amamos porque, uma vez rotos os laços, ficamos de tal sorte livres que, ainda que queiramos, não podemos voltar a eles. Assim não está na nossa mão o não amar, nem também o amar. O coração, por si mesmo, acende-se, embebeda-se e nós não o podemos inflamar, nem extinguir-lhe o ardor.
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