domingo, 7 de setembro de 2008
À ESPERA
O MESTRE

VÉRTICE
SEDE
OS PÉS DE VÉNUS

OLHAR DE MAR

OLÍVIA

Mulher, tu és o fogo que em ti levas, o calor que irradias, a luz que em ti resplandece. Mulher, tu és também um oásis neste deserto que mora em mim. Em teu peito sinto forças para poder descansar. Mulher, teus olhos são a luz da mais intensa paixão, quente como as tardes de Agosto, com o mar por perto. A ternura que ofereces alimenta meu corpo e todos os meus sonhos. Meus dentes mordem estes meus lábios na sede de te ter, cortando as palavras que não consigo dizer-te. Só te quero beijar.
MATREIRICE
Brinca muito e dorme cedo, menina rabina, que tua sina é ter sempre sonhos bons. Olha, bombom, os pássaros no céu a voar, e põe um véu de rosas nos teus cabelos.Não deixes nunca de fazer caretas a quem passa na rua. Solta essas palavras matreiras, de tantos encantos. Tudo que sai dessa boca, tudo que sai dessa alma, cheira a mel, transpira alegria. E sente-se a felicidade de um anjo, um daqueles que da vida não tem medo. Um anjo que dorme cedo, porque tem a sina de fazer aos outros, que o rodeiam, ter muitos sorrisos e muitos sonhos bons.
RENDA DE PEDRA
Mão firme na pedra macia. O olhar fixa-se na renda que o talento moldou, tudo está dissolvido em requinte. Deus percorre-lhe as entranhas, misturando-se com o sangue das mãos que teceram esta porta. As maravilhas de ver e de interpretar enchem as retinas admiradas. Meu cérebro traduz tudo em linguagem pictórica. A vontade de lhe tocar absorve-me a concentração. Soltam-se pinceladas num processo tão complicado quanto absurdo, escultura fina extraída do brilhantismo, bem claro e iluminado, do pensamento. Mensagem estranha, mas empolgante, absolutamente única. Alguém superior lhe regula as sombras e os brilhos, que cada mente vê diferente mas nunca indiferente. Absolutamente ímpar e irresistível!
LIBERDADE
GAIVOTAOntem apenasfomos a voz sufocada
dum povo a dizer não quero;
fomos os bobos-do-rei
mastigando desespero.
Ontem apenas
fomos o povo a chorar
na sarjeta dos que, à força,
ultrajaram e venderam
esta terra, hoje nossa.
Uma gaivota voava, voava,
assas de vento,
coração de mar.
Como ela, somos livres,
somos livres de voar.
Uma papoila crescia, crescia,
grito vermelho
num campo cualquer.
Como ela somos livres,
somos livres de crescer.
Uma criança dizia, dizia
"quando for grande
não vou combater".
Como ela, somos livres,
somos livres de dizer.
Somos um povo que cerra fileiras,
parte à conquista
do pão e da paz.
Somos livres, somos livres,
não voltaremos atrás.
Ermelinda Duarte
SETAS DE ORVALHO
O SOL NAS NOITES E O LUAR NOS DIASe quanto mais amada mais desisto:
quanto mais tu me despes mais me cubro
e quanto mais me escondo mais me avisto.
E sei que mais te enleio e te deslumbro
porque se mais me ofusco mais existo.
Por dentro me ilumino, sol oculto,
por fora te ajoelho, corpo místico.
Não me acordes. Estou morta na quermesse
dos teus beijos. Etérea, a minha espécie
nem teus zelos amantes a demovem.
Mas quanto mais em nuvem me desfaço
mais de terra e de fogo é o abraço
com que na carne queres reter-me jovem.


