sábado, 26 de setembro de 2009

CORAGEM


A verdadeira coragem é uma das qualidades que su põem a maior grandeza de alma. Observo várias espécies dela: uma coragem contra a fortuna, que é filosofia; uma coragem contra as misérias, que é paciência; uma cora gem na guerra, que é bravura; uma coragem nos empreendimentos, que é arrojo; uma coragem altiva e teme rária, que é audácia; uma coragem contra a injustiça, que é firmeza; uma coragem contra o vício, que é severidade; uma coragem de reflexão, de temperamento, etc. Não é comum que um mesmo homem reúna tantas qualidades.

domingo, 7 de setembro de 2008

ENCANTO VERMELHO

A manhã acorda-te, envolta nos lençóis amarrotados da noite intensa, o corpo ainda nú arrepia-se ao toque do primeiro raio de Sol. A teu lado, uma rosa vermelha espera que a guardes como lembrança desse momento inacabado.

À ESPERA


Talvez a verdadeira excitação esteja, hoje, em ver uma mulher despir-se de verdade... A verdadeira nudez tem aqui um significado diferente. É muito mais intenso assistir a uma mulher desabotoar as suas fantasias, as suas dores, a sua história, os seus sonhos...

O MESTRE


O mestre não se fez para rir. É de facto um mestre aquele de que os outros se riem, aquele de que troçam todos os prudentes e todos os bem estabelecidos. Pertence-lhe ser extravagante, defender ideais absurdos, acreditar num futuro de generosidade e de justiça, despojar-se, ele próprio, de comodidades e de bens, viver incerta a vida. A ninguém terá rancor, saberá compreender todas as cóleras e todos os desprezos, pagará o mal com o bem, num esforço obstinado para que o ódio desapareça do mundo. Não verá no talento do aluno um inimigo natural, mas o melhor que lhe podem conceder.

VÉRTICE


Quero escrever no teu corpo, com língua vestida de prazer, na pele aveludada do sentir, com lábios de desejo. Quero escrever com letrinhas pequenas, para saborear cada pedaço, sentir cada gemido…

SEDE


A água e a sede fazem parte, ambas, de nossa natureza humana e divina. No episódio evangélico, aquele que pede de beber diz possuir uma água que mata todas as sedes, e aquela que teria água para oferecer revela uma sede que vem do fundo da alma. Água e sede misturam-se e entrelaçam-se. Ninguém é só água, ninguém é só sede. Ninguém é água o tempo todo, ninguém é sempre sede. Todos somos essa mescla indefinível de água e sede. Na relação entre o divino e o humano, toda a sede é saciada na busca de uma intimidade crescente e envolvente.

OS PÉS DE VÉNUS


É propriedade do amor o ser violento e é propriedade da violência a não durabilidade. O amor acaba-se em nós, não por nossa vontade, mas porque tem por natureza acabar, nem tudo espera por nós. Quando amamos, é por força, porque a formosura, que nos inclina, vence-nos. Também é por força quando não amamos porque, uma vez rotos os laços, ficamos de tal sorte livres que, ainda que queiramos, não podemos voltar a eles. Assim não está na nossa mão o não amar, nem também o amar. O coração, por si mesmo, acende-se, embebeda-se e nós não o podemos inflamar, nem extinguir-lhe o ardor.